Quadrilha que ia roubar R$ 1 bi fez túnel auxiliar para descartar terra em galeria fluvial

SÃO PAULO – Os assaltantes que cavaram um túnel para tentar roubar R$ 1 bilhão de um cofre do Banco do Brasil em São Paulo construíram uma ramificação exclusivamente para descartar a terra em uma galeria fluvial. Segundo policiais que acompanharam a investigação, os criminosos tiravam a terra do solo manualmente, a armazenavam em sacos e a levavam por uma bifurcação do túnel principal até a galeria subterrânea, cuja função é carregar água da chuva para o Rio Pinheiros, a cerca de 1 km dali.

Na manhã desta segunda-feira o GLOBO entrou na casa utilizada pelos assaltantes para começar o túnel, na Rua Antonio Buso, Chácara Santo Antônio, Zona Sul da capital paulista. Máscara de gás, roupas impermeáveis, joelheiras, cilindros de maçarico e ferramentas diversas. A lista de itens que poderiam ser utilizados em uma obra regular serviram para a escavação de um túnel que tinha como destino final um cofre do Banco do Brasil. Segundo a polícia, após cavar cerca de 600 metros os criminosos estavam próximos de seu destino final.




Para entrar na área escavada, é preciso descer uma escada de cerca de dois metros. Já no subsolo, o túnel mede cerca de 1,5 metro de altura, o que não permite que um adulto fique em pé. A estrutura do túnel foi reforçada com vigas de ferro e madeira, acompanhada por iluminação. O chão e as paredes foram forrados com sacos de lixo pretos, o que diminui a poeira na área interna do túnel. A escavação era feita manualmente para, de acordo com investigadores, diminuir o barulho da obra. Depois de fazer o primeiro buraco, a própria estrutura subterrânea abafaria os sons da escavação.

Localizada numa rua residencial, a casa escolhida pelos assaltantes tem três cômodos: uma sala (que foi dividida em dois), dois quartos, uma cozinha, três banheiros e uma área de serviço. O buraco fica no canto de um dos quartos, aproveitando o desenho do recuo da parede.

Dentro desse cômodo ainda eram vistas, na manhã desta segunda-feira, roupas especiais semelhantes àquelas usadas por mergulhadores: um tecido preto, impermeável, de borracha. Botas pretas, máscaras e meiões com símbolos de times de futebol completam o figurino pendurado em uma das paredes do quarto.

Espalhadas por toda a casa há indícios de que o imóvel foi ocupado até recentemente. Dezenas de roupas estavam penduradas na área de serviço, para secar, enquanto outras ainda estavam dentro de uma máquina de lavar ou guardadas em caixas com nomes de homens e mulheres. A cozinha possui uma geladeira cheia, com verduras e mantimentos, e um fogão de cinco bocas aparentemente novo repleto de panelas.





O conteúdo dos armários da cozinha sugere que os construtores do túnel faziam suas refeições na própria casa, pois ainda guardam pão, biscoito, cereais matinais, achocolatado, macarrão, óleo, alho. Por toda a casa, há pacotes de cigarros e latinhas de cerveja vazias jogadas no chão.

O Banco do Brasil informou que “colabora desde o início com as investigações e que atua em conjunto com o serviço de inteligência da polícia”.

 

Fonte: oglobo.globo.com

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