Defesa pede suspensão de interrogatórios na 2ª ação contra Lula na Lava Jato

Os advogados de Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram, nesta quinta-feira (17), documento em que pedem ao juiz Sérgio Moro a suspensão dos interrogatórios relativos à 2ª ação penal contra o ex-presidente na Operação Lava Jato, marcados para setembro.

O processo investiga se a doação de um terreno em São Paulo e a compra de um apartamento em São Bernardo do Campo foram propina da Odebrecht a Lula.

Segundo a defesa, o objetivo é “viabilizar a realização de prova pericial, tanto nos documentos apresentados quanto nos dispositivos (computadores, celulares, tablets, etc)”, de onde teriam sido tirados papéis juntados no processo, além de reinquirir testemunhas a serem indicadas pelos próprios advogados.

Um dos motivos para o pedido de suspensão é a apresentação de uma série de documentos por parte da força-tarefa que, de acordo com a defesa, estão “sem qualquer indicação de origem nem sequer uma mínima referência a respeito no petitório”.

A defesa quer que esses documentos sejam retirados do processe e, caso isso não seja deferido pelo juiz Sérgio Moro, requer que os procuradores indique a fonte dos documentos para realização de perícia e reinquirição das testemunhas.

“Está evidente que toda a acusação formulada contra o Peticionário se baseia exclusivamente em narrativas e hipóteses acusatórias, sem qualquer elemento de corroboração”, justificaram os advogados, ao se referirem aos documentos.

Os advogados dizem que reconhecem que a lei permite a apresentação de documentos em qualquer fase do processo, contudo, afirmam que não podem aceitar que o MPF “possa realizar uma instrução paralela e venha juntar aos autos papeis que poderiam ser objeto de perguntas a testemunhas já ouvidas”.

O interrogatório do ex-presidente, especificamente, está marcado para o dia 13 de setembro. Conforme a defesa, foram ouvidas 97 testemunhas de acusação e defesa neste processo.

Até a publicação desta reportagem, Moro ainda não havia publicado decisão sobre o pedido da defesa. O MPF afirmou que vai se manifestar apenas no autos.




A ação

Nesta ação, o Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente de receber como propina um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do petista, em São Bernardo do Campo (SP).

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato, esses imóveis foram comprados pela Odebrecht em troca de contratos adquiridos pela empresa na Petrobras.

Lula responde, neste processo, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Outras sete pessoas também são rés. A ex-primeira dama Marisa Leticia, morta em fevereiro deste ano, chegou a ser acusada, contudo, o juiz Sérgio Moro decretou a impossibilidade de puni-la.

Fonte: g1.globo.com

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